A lua versa 

com as estrelas

e dessa conversa

eu vejo da janela

as estrelas versarem

e assim vice-versa.

(Eu Profundo)

eu tô tão puta esses dias

mesmo assim, você não me enxerga. não me atravessa na sua retina e me instala nos seus neurônios. porque todo mundo sabe que se ama com os neurônios. mesmo amando com meus milhares de neurônios, isso é pouco pra te suportar e te aguentar. mas faço um esforço, baby. me folozo pra te caber. mas você me lota. e me dá uma sensação de saciado depois de comer duas fatias de lasanha. me dá uma sensação de transbordamento. e me vaza. me nega poemas e prosas de pós-foda que você me fazia. eu me deitava entre suas pernas. você escrevia sobre a lua nua. o céu teu. o amor nosso. criava rimas pra me adocicar os ouvidos. 

eu me vendi, babe. pra qualquer um que rima leu com créu. pra qualquer que saiba socar fundo. que saiba beijar mordendo o lábio inferior. pra qualquer um que não ligue pro espaço que sobra dentro de mim.
me vendi.

vendi minha alma ao demônio dos teus olhos. 

mas, por favor, me ame esta noite. me ame com teus milhares de neurônios e teu pau poeta. 

(convergido)

quero ser sua embriagues, seu inconsciente, quero tomar o vácuo da tua mente. te fazer delirar. te bambear as pernas. quero ser o álcool que pulsa nas tuas veias. te dominar, ser talvez apenas a ausência do seu prazer, do gemido assanhado do seu gozo e a vontade de querer te derrubar, ser a tua ressaca na manhã seguinte. e por fim ser o seu esquecimento.

Aquebrantar acompanhada por Amarguisses.

"Dê-me um cigarro, por favor. Faz exatamente sete meses que eu não coloco um cigarro em minha boca, mas neste momento eu estou precisando, juro que é só por hoje. O motivo pela qual eu irei fumar é para esquecer. Esquecer o quanto é ruim estar viva. Esquecer que eu sou uma mulher cheia de problemas. Esquecer que a minha vida está uma bagunça. E se ela está uma bagunça, evidentemente o meu coração também está. Acredita que sinto falta de estar com o cabelo fedendo a cigarro? Loucura. Eu sou tão covarde. Eu não consigo enfrentar, bater de frente com os meus problemas, eu tenho que fumar para esquecê-los. Será que sempre vai ser assim? Sempre irei fugir? Sempre irei fumar para esquecer? Isto aqui está uma louca confusão. Eu quero sair desse vício que algum dia pode me matar. Mas o que fazer se fumar é a única solução para eu esquecer os problemas?"
— A Fabulosa Vida de Lynn Acker.  

Sou uma obra brasileira de informações densas, contraditórias, num ciclo de busca pela coerência, que nunca termina.
Me colocaram no hospital público, no barraco de favela, sobre o corpo da empregada doméstica arrastada pela viatura da PM.
Por vaidade do artista que não estava aberto a críticas, fui publicado nos lugares de onde não valorizam a opinião.

"Prefiro ser um borrão, sem face, de corpo descarnado, no máximo, melódico. Eu relato as gotículas desprovidas de cor passeando pelo céu, e não o infinito arco-íris. Falarei da profundidade dos olhos, não das suas cores e formas, e contarei sobre a direção que seguem os pés, não sobre seus sapatos. Convido-te para ao meu lado, lavar o rosto à margem do máximo onde podemos chegar. E não usemos maquiagem, para que, de uma vez por todas, todos entendam que belos rostos não constroem boas histórias."
Felipe F. 
"Já tive medo de perder minha mãe no mercado, de altura, da morte dos meus pais, de aranha, de tirar nota baixa, de ver filme de terror e todas essas coisas que todo mundo já sentiu medo, mas hoje meu medo maior é te machucar porque você é o que me faz estar de pé agora, você é a minha fonte de felicidade."
concilios