Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura. O jeito é se virar em casa mesmo, sem testemunhas estranhas. Sem despesas.

Lygia Fagundes Telles

textos caóticos

E da minha dor,

faço poesia.

E das minhas lágrimas,

voam gritos

nos sussurros ardentes

de uma solidão

planejada.

Que me afeta, me machuca…

E assim se cria, os mais belos versos,

que partem de mim.

Na dor, eu me reinvento sempre. Não sou criação, sou cópia.

Sempre só, numa busca sem causa e infinita daquelas que desgasta a sanidade de qualquer um. Que coisa absurda, um atentado a vivência tantas perguntas sem respostas, tantas respostas sem sentidos, respostas de coisas que nem perguntei e cada vez mais acredito que o hospício é aqui e agora onde vivo e cada louco com suas manias. Afinal aonde essa andança sem destino vai nos levar, onde vamos parar? Sinceramente eu não sei, mas sou desses que mesmo assim continua a caminhada, pois acredito que em algum lugar vamos parar ou finalmente achar tudo o que sempre procuramos e a única coisa que se pede, a única regra desse jogo insano é não desistir, não parar nunca.
Efeito Colateral. 
Sobre despedidas, não sei muito mais que você. Só que doem. E deixam buracos intermináveis. E cegam. E emudecem. E paralisam. E findam. Sobre despedidas, só sei o que me contaram: que deixam cicatrizes nos pés e nas mãos, que deixam a garganta seca e o sorriso travado. Sobre despedidas, eu sei de mim. E de minha mãe. E de meu pai. E da minha angústia toda, fugindo pra dentro do quarto e me trancando no escuro, detrás do guarda-roupa. Intragável, intragável, intragável: sobre despedidas, sei que não passam na garganta. Não entram na mente. Não cruzam visões de quem se recusa a ver que é o fim e não a paz, o que espera na frente de casa. É o fim, meu amor — o nosso fim.
Circos. 

Aquele tipo de gente que você olha e só consegue ver o olhar. Grandes olhos brilhantes. E aquele olhar é a própria pessoa. É a pessoa inteira.

LOUCO PRÉ-HISTÓRICO

Todo dia surge um motivo novo para enlouquecer
[ eu ainda insisto no amor ]

Geraldo de Barros