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14Lutamos por vinagre,
contra o massacre das massas
pelo vinagrete, e claro, vinte centavos.
37o café esfria
porque tudo perde a graça
porque tudo vira cinza
até que se decida fazer outro
dessa vez bem doce
pra contrastar com a amargura do dia(flávia)
52De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o dramaDe repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinicius de Moraes
A pele que reveste meus ossos não está conformada com o seu tom pálido quase doentio devido à falta de raios ultravioletas. A tez grita pelo toque de dedos delicados e corriqueiros. As veias esverdeadas por onde o meu sangue percorre estão claramente à mostra em meu pulso esquelético, cobrir com mangas em clima de veraneio não é possível e tentar esconder com algum relógio não é o suficiente. Meus fios de cabelo castanho-escuros estão com um aspecto seco, e despenteados como o de costume. E anseiam para que o vento os convide para dançar. O par de órgãos, cuja função é a visão, suplicam por uma nova vista. O peso das duas bolsas embaixo de meus olhos já os deixa cansados. Os meus lábios, junto de minha língua imploram por palavras doces e pelo seu beijo amargo e envenenado. As narinas desejam o cheiro de algo que esteja vivo, não precisa necessariamente respirar, poderá ser a flora de seu jardim, talvez o perfume viciante de sua pele intoxicando os meus pulmões. Quero sentir o universo e não a tinta descascando nas quatro paredes de meu quarto antigo. A mobília mofada só prejudica o meu olfato. Os meus ouvidos estão cheios de ouvir o barulho inquietante das goteiras que brotam do teto feito flor. Os ruídos que a minha mente paranoica inventa faz com que a minha audição me entregue algumas noites de insônia. Quero que a sua voz penetre em meus ouvidos, mas não o bastante para me ensurdecer. Os meus pés querem correr rápido para deixar a pressa para trás. Novos caminhos à traçar jamais serão feitos se esquecer os pés afundados na lama. O tato quer afagar os seus cabelos e sua pele de seda. Trancar as portas e janelas não deixará que uma nova brisa entre. Em meu estômago, as lagartas teceram seus casulos e jamais viraram em borboletas."
61Nada é sensível àqueles que jamais sentiram alguma dor. Como saber qual o toque da dor, sem ao menos ter posto na chama, a mão? Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. Sua tempestade pode parecer impossível, mas se você a sente é porque é capaz de suportá-la.
Tempestades passam. Alguns raios deixam marcas no solo, mas a rotação da Terra continua a mesma.
ThM.